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‘Bebês-milagre’: a história dos recém-nascidos que sobreviveram sob os escombros no México

Quase quatro décadas após o terremoto que devastou a Cidade do México em 1985, uma das histórias mais marcantes daquele desastre volta à cena: o resgate de dezenas de recém-nascidos que permaneceram sob os escombros de uma maternidade e ficaram conhecidos como “bebês-milagre”. Entre eles está Jesús Francisco Flores, o “Menino Terremoto”, que nasceu na manhã da tragédia e sobreviveu graças a um ato extremo de sua família. Hoje, ele trabalha na área de proteção civil e dedica-se a orientar a população sobre segurança em casos de abalos sísmicos.

O terremoto de 1985

  • Em 19 de setembro de 1985, um terremoto de magnitude 8,0 atingiu a Cidade do México, provocando destruição generalizada. Registros apontam ao menos 5 mil mortos, 412 prédios desmoronados e milhares de outras estruturas gravemente danificadas.
  • A combinação entre a grande magnitude do sismo e as condições do subsolo — a capital foi erguida sobre o antigo leito do lago Texcoco, cujos sedimentos macios amplificam a vibração — ajudou a intensificar os danos. Um forte tremor secundário ocorreu no dia 20, agravando o cenário.
  • Em meio à catástrofe, uma narrativa improvável mobilizou o país: o resgate de recém-nascidos soterrados na ala de maternidade de um hospital destruído.

Um resgate improvável

Jesús Francisco Flores nasceu no dia do desastre. Segundo relato ao Globo Repórter, sua mãe, de 17 anos, ficou presa sob os escombros após o desabamento do hospital. Três dias depois, a avó localizou os dois e realizou um procedimento improvisado para retirar o bebê com vida. “Minha avó abriu a barriga da minha mãe para me resgatar no terceiro dia”, disse Jesús. A mãe não resistiu aos ferimentos, mas o bebê sobreviveu — uma história que ganhou manchetes na época e o colocou entre os chamados “bebês-milagre”.

A tragédia deixou marcas profundas. Ao todo, 24 parentes de Jesús morreram no terremoto. Ele cresceu cercado pelo peso da perda familiar e pela repercussão de sua própria sobrevivência. “Eu nasci na manhã da tragédia que marcou o México”, lembrou.

Do trauma à prevenção

Com o apelido de “Menino Terremoto”, Jesús afirma que sua trajetória o conduziu à atuação em proteção civil, na qual orienta a população sobre medidas de segurança em caso de sismos. “É algo divino sobreviver a uma catástrofe. Se Deus me deixou viver, é para servir”, afirmou.

As ações de preparação e resposta a terremotos seguem centrais em uma cidade exposta a riscos sísmicos recorrentes. Histórias como a de Jesús reforçam a importância da prevenção, do treinamento e da capacidade de mobilização diante de emergências — lições que o México trouxe à memória coletiva desde 1985, quando um dos mais devastadores tremores de sua história deixou um rastro de destruição, dor e, em casos raros, sobrevivências que surpreenderam o país.

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