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Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de ligação com PCC e mais 6 pessoas; empresário está foragido

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange para desarticular uma organização suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Até a última atualização, sete dos 11 mandados de prisão temporária foram cumpridos. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com uma rede de lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também sancionado, é considerado foragido. A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos até o montante de R$ 10,4 bilhões.

Mandados e medidas judiciais

  • Ao todo, a PF cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão.
  • As ações ocorrem em endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
  • Todos os detidos serão levados à Superintendência da PF em São Paulo.
  • A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até R$ 10,4 bilhões.

Alvos sancionados pelos Estados Unidos

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e Victor Henrique de Oliveira Shimada foram sancionados recentemente pelo Departamento do Tesouro dos EUA por suspeita de integrarem, com empresas associadas, uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Segundo as regras das sanções, bens localizados nos Estados Unidos são bloqueados e empresas pertencentes, direta ou indiretamente, em 50% ou mais aos sancionados também ficam sujeitas ao bloqueio.

No comunicado das sanções, autoridades norte-americanas classificaram o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e afirmaram que a facção representa ameaça significativa à segurança nacional, além de utilizar o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro. Em junho, o Departamento de Estado norte-americano incluiu PCC e Comando Vermelho em sua lista de organizações terroristas, medida que abre espaço para ações unilaterais mais duras por parte dos EUA.

Modus operandi apontado pela PF

De acordo com as investigações, os alvos utilizavam um sistema estruturado de movimentação de recursos, que incluía transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor, além de repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Para despistar as autoridades, os investigados usariam apelidos: Shimada seria “o Japa”; Stella, “Lara Croft”. Ainda segundo a apuração, Stella organizava a coleta do dinheiro, e Shimada atuaria como elo com traficantes ligados ao PCC no Brasil.

Os envolvidos poderão, em tese, responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Quem é Victor Shimada

Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e também da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, com sede em Portugal, ambas citadas no contexto das sanções norte-americanas. As autoridades dos EUA o classificaram como elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

No Brasil, Shimada é investigado em apurações relacionadas ao caso VaideBet, que examina suspeitas de desvio de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. Em documentos brasileiros, a Victory Trading aparece conectada financeiramente à Wave Intermediações e Tecnologias Ltda. e à UJ Football Talent. Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo, essas conexões indicam trânsito de valores entre pessoas e empresas mencionadas em investigações sobre a facção criminosa. O relatório não afirma que Shimada integre o PCC, mas aponta sua presença em um fluxo financeiro que cruza com investigados.

Em janeiro de 2025, Shimada cumpriu brevemente prisão domiciliar no país em um processo envolvendo o Banco Votorantim (atual BV). Em nota, o BV informou ter identificado, em agosto de 2024, movimentações irregulares em serviços de Banking as a Service (BaaS), comunicou os fatos às autoridades e colaborou com as investigações que culminaram com a condenação de um dos hoje sancionados pelo Tesouro dos EUA.

Quem é Stella Stefanie

Segundo autoridades norte-americanas, Stella é parente de Shimada e atuou como sua secretária. Ela teria intermediado a coleta de grandes quantias em espécie e fornecido apoio logístico a operações de lavagem de dinheiro. Não há registro de antecedentes criminais ou processos contra ela no Brasil.

Defesas

Em nota, a defesa de Victor Shimada afirmou que tomou conhecimento da operação “há instantes” e que, no momento, não dispõe de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas, razão pela qual considera “precipitada” qualquer manifestação sobre o mérito. A defesa acrescentou que, tão logo tenha acesso aos autos, fará a análise técnica e adotará as medidas jurídicas cabíveis.

Em manifestação anterior sobre as sanções, o advogado Yuri Cruz disse que a equipe não teve acesso aos documentos oficiais que embasaram a medida e que Shimada “nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”.

Próximos passos

A PF prossegue na execução dos mandados restantes e na análise de materiais apreendidos para detalhar o fluxo financeiro investigado. Os presos serão ouvidos na sede da corporação em São Paulo. As investigações seguem sob sigilo, e novas diligências não estão descartadas. As sanções impostas pelos EUA permanecem em vigor, com bloqueio de ativos e restrições a pessoas e empresas listadas, enquanto os procedimentos criminais avançam no Brasil.

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