Resumo
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira (4) que países europeus estão garantindo a implementação de acordos com os Estados Unidos sobre o uso de bases militares. Segundo ele, as nações do continente “entenderam o recado” do presidente americano, Donald Trump, que tem cobrado maior contribuição dos aliados no contexto da guerra envolvendo o Irã. As declarações ocorrem em meio ao agravamento de tensões diplomáticas entre Washington e Berlim após o anúncio da retirada de 5 mil soldados dos EUA da Alemanha.
Pressão de Washington e resposta europeia
Rutte disse que os países europeus trabalham para assegurar o cumprimento de entendimentos com os EUA referentes ao uso de instalações militares. A mensagem vem após críticas recorrentes de Trump a aliados que, segundo ele, não contribuem o suficiente em meio ao conflito no Oriente Médio.
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz afirmou no dia 27 que os iranianos estavam “humilhando” os Estados Unidos nas negociações para encerrar a guerra, que completa dois meses. No domingo (3), porém, Merz declarou que os EUA seguem como “o parceiro mais importante para a Otan”, em fala antecipada pela agência Reuters que ainda será televisionada.
Retirada de tropas e impacto na Otan
Em meio à crise diplomática com a Alemanha, os EUA anunciaram na sexta-feira (1º) a retirada de 5 mil militares do país europeu, movimento interpretado como punição a Berlim. Questionado se a decisão estava ligada à estratégia do presidente Trump no Irã, Merz respondeu: “Não há nenhuma conexão”.
A Alemanha é a principal base dos EUA na Europa, com cerca de 35 mil militares em serviço ativo, servindo como um centro estratégico de treinamento. Segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, o processo de retirada deve ser concluído em até 12 meses. Um alto funcionário do Departamento de Defesa, sob anonimato, disse à Reuters que uma brigada de combate deixará o país e que um batalhão de artilharia de longo alcance, que seria enviado ainda neste ano, não será mais deslocado. De acordo com a autoridade, as medidas respondem a declarações recentes de autoridades alemãs, consideradas “inapropriadas e pouco úteis”.
A Reuters informou ainda que a redução tende a levar o contingente americano na Europa de volta a patamares próximos aos de antes de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia motivou reforço de tropas determinado à época pelo então presidente Joe Biden.
Divergências dentro da aliança
Os passos de Washington vêm na esteira de diferenças entre aliados sobre o apoio operacional aos EUA. A Alemanha está entre os países da Otan que autorizaram o uso de bases para ataques contra o Irã — decisão elogiada por Trump. Espanha e Itália adotaram postura mais restritiva: no fim de março, o governo espanhol fechou o espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas na guerra, enquanto os italianos negaram o uso de uma base aérea na Sicília para operações de combate.
Sinais de novas medidas
Na quinta-feira (30), Trump confirmou que pretende retirar tropas da Alemanha e disse avaliar ações semelhantes na Espanha e na Itália. Em início de abril, o jornal The Wall Street Journal noticiou que a Casa Branca considera punir países da Otan que, na avaliação do governo americano, ofereceram apoio insuficiente à guerra contra o Irã. Entre as possibilidades estariam a realocação de tropas para nações que apoiaram a ofensiva no Oriente Médio — como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia — e até o fechamento de uma base militar dos EUA na Europa, possivelmente na Espanha ou na Alemanha.
O que está em jogo
As declarações de Rutte e a movimentação de tropas reforçam a pressão sobre parceiros europeus por maior alinhamento operacional com os EUA. Com a Otan no centro das respostas à guerra no Oriente Médio e aos desdobramentos da segurança no continente, a forma como os países irão calibrar autorizações de uso de bases, o trânsito aéreo militar e o posicionamento de contingentes deve definir os próximos passos da aliança nas próximas semanas.



