São Paulo, 29 de agosto de 2023 — Um colar de 8.500 anos, descoberto no Parque Nacional Serra da Capivara, no estado do Piauí, é um dos principais destaques da exposição “Nem Tudo Que Reluz – Uma Exposição sobre o Adorno e a Arte Contemporânea”, que inaugura nesta terça-feira em São Paulo. A mostra, realizada no Solar Fábio Prado, antigo Museu da Casa Brasileira, conta com a curadoria de Ana Avelar, professora de história da arte na Universidade de Brasília (UnB).
Descoberta Arqueológica Relevante
A peça foi encontrada em 2006 em um abrigo chamado Toca do Sítio do Meio, parte do extenso e significativo conjunto de sítios arqueológicos do Parque Nacional Serra da Capivara. Este parque, Patrimônio Mundial da UNESCO, abriga a maior e mais antiga concentração de sítios pré-históricos das Américas, com vestígios de ocupação humana que remontam a 25 mil anos. As escavações na região revelaram múltiplas camadas arqueológicas, sendo uma delas datada de 8.500 anos, onde o colar foi encontrado juntamente com uma placa de ocre, dentes humanos e vestígios de fogueiras, segundo detalhou a arqueóloga Gisele Daltrini, da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM).
Empréstimo para a Exposição
Desde sua descoberta, o colar faz parte do acervo do Museu do Homem Americano, localizado no Piauí. Agora, com a autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a peça foi cedida temporariamente para integrar a exposição em São Paulo. Após o término do evento, ela retornará ao seu lugar de origem.
Homenagem às Guardiãs da Exposição
A curadoria da exposição buscou homenagear duas mulheres de destaque na cultura e arqueologia, Niéde Guidon, recentemente falecida e fundamental para as descobertas arqueológicas no Brasil, e Amélia Toledo, artista incluída postumamente, além de ser uma das inspirações para a mostra. O colar está posicionado na entrada da exibição em paralelo às obras de Toledo, reforçando a conexão entre o passado pré-histórico e a arte contemporânea.
A Mostra e os Artistas
A exposição “Nem Tudo Que Reluz” reúne obras de cerca de 20 artistas mulheres brasileiras, apresentando diversidade de trajetórias e linguagens de Norte a Sul do país. O evento é gratuito e ficará aberto ao público de terça a quinta-feira e nos fins de semana, das 10h às 18h, e às sextas, das 11h às 20h.
O Parque Nacional Serra da Capivara, registrado como Patrimônio Mundial em 1991, continua a surpreender pela riqueza de seus achados arqueológicos, lançando novas luzes sobre a história das Américas e atraindo a atenção global devido à significância histórica de suas descobertas.