São Paulo — A Linha 6-Laranja do metrô entrou na etapa final de obras e testes operacionais, com a entrega do primeiro trecho prevista para outubro. A fase inicial ligará Brasilândia, na Zona Norte, à estação Santa Marina, na Zona Oeste. Os testes vêm ocorrendo durante a noite, período em que a via é energizada, e o avanço das frentes de trabalho já coloca cinco estações com mais de 90% de execução. A linha será administrada pela concessionária Linha Uni, sob responsabilidade da Acciona.
Cronograma e primeiro trecho
- A primeira entrega, programada para outubro, contempla o início de operação entre Brasilândia e Santa Marina. Na estação Santa Marina, que tem cerca de 95% das obras concluídas, as equipes se preparam para os testes de carga — ensaios com sacos de areia que simulam o peso máximo de passageiros para avaliar aceleração, frenagem e desempenho.
- Ainda em 2026, o trecho entre Brasilândia e Perdizes é o prometido para entrar em operação. A estação Maristela será a única deste primeiro lote que ficará para a segunda etapa, prevista para 2027.
- A segunda etapa, entre Perdizes e São Joaquim, mantém previsão de 2027. Com as 15 estações em funcionamento, a expectativa é transportar cerca de 630 mil passageiros por dia. Quando toda a linha estiver ativa, o trajeto entre Brasilândia e São Joaquim deverá levar aproximadamente 23 minutos.
Testes operacionais e controle
- Os testes vêm sendo realizados à noite, quando não há operários nos trilhos e a via pode ser energizada. Reportagem do telejornal SP2 acompanhou, na madrugada, parte do trajeto e ensaios no Pátio Morro Grande — local de estacionamento e manutenção dos trens e onde funciona o Centro de Controle Operacional (CCO) da linha.
- Nesta fase, as composições circulam em baixa velocidade, por volta de 14 km/h. Em operação normal, a velocidade poderá atingir até 80 km/h.
- Os trens foram projetados para operar de forma automática, nos moldes da Linha 4-Amarela. Durante os testes, porém, há condutores a bordo.
Material rodante e capacidade
- Dos 22 trens previstos para a Linha 6-Laranja, 10 já estão no pátio. Os demais foram fabricados em Taubaté e devem chegar nos próximos meses.
- As composições terão carros interligados, bancos laterais e capacidade para transportar até 2.044 passageiros por viagem.
Obras e estações
- No trecho previsto para entrar em operação até o fim do ano (Brasilândia–Perdizes), cinco estações superam 90% de execução. A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado é a mais atrasada, devido à profundidade, mas, segundo a Acciona, continua no cronograma de entrega.
- A Itaberaba-Hospital Vila Penteado terá 68 metros de profundidade em relação ao nível da rua e, de acordo com o governo estadual, deve figurar entre as dez mais profundas do mundo. Outras estações também ultrapassam 60 metros, como Higienópolis-Mackenzie (64 m), Bela Vista (61 m) e PUC-Cardoso de Almeida (60 m).
Integração e contexto do projeto
- A Linha 6-Laranja terá 15 estações no primeiro trecho integral, conectando Brasilândia a São Joaquim (Linha 1-Azul), e é conhecida como “Linha das Universidades” por atender polos como FAAP, PUC-SP e Mackenzie.
- Segundo o histórico do projeto e o planejamento do Metrô de São Paulo, a linha deverá se integrar às linhas 1-Azul, 2-Verde e 4-Amarela do metrô, além das linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM, ampliando a conexão entre as zonas Norte, Oeste, Central e Sudeste da capital.
- O empreendimento é executado em Parceria Público-Privada; a Acciona assumiu a conclusão das obras e a futura operação por meio da concessionária Linha Uni.
Posicionamento da concessionária
A Acciona, responsável pela construção e futura operação, informou que não concederia entrevista no momento por indisponibilidade de porta-vozes.
Próximos passos
- Até outubro, a concessionária deve concluir os testes de carga e sistemas no trecho Brasilândia–Santa Marina, etapa que antecede a operação assistida.
- A ampliação da operação até Perdizes permanece prevista para o fim de 2026, enquanto a ligação até São Joaquim segue no cronograma de 2027.
- Com a entrada em serviço, a Linha 6-Laranja deverá encurtar deslocamentos entre a Zona Norte e o Centro expandido de São Paulo e desafogar a demanda nas linhas já em operação.



